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12 de julho de 2011

Sobre a morte e meus sapatos fúnebres

Eu acho que eu vou morrer. Foi o que eu pensei. E mais do que isso, eu senti. Me sentia fraca e nunca pensei na morte com tanta verdade. Coragem também, apesar da saudade que já foi tomando conta do meu coração. Pensei nos últimos acontecimentos da minha vida, em quem sentiria minha falta, de quem eu sentiria falta... Será que vou pro outro mundo devendo alguma coisa? Talvez as coisas se resolvessem se ele soubesse que eu morreria. Não quero que se sinta culpado no meu enterro, mas também quero que se arrependa por não aproveitar por ainda me ter viva. Tudo corre para isso; o sonho, a despedida, a carta. Sempre imaginei que viveria por muitos anos. Mas também sempre imaginei que me casaria, e agora, bem... Não, eu não quero morrer agora. Isso tudo é frescura, minha mãe sofreria. Mas se eu eventualmente morrer por outra vontade que não seja a minha, se de repente eu descobrir que não tenho mais muitos dias, me enterrem com aquele par de botas que eu ainda nem usei. Porque a morte é quando a gente pode finalmente dormir de sapatos.

9 de dezembro de 2010

contos

Cheguei no mercado onde tem o restaurante onde eu resolvi almoçar no último mês, (já que não moro nos EUA e minhas opções de restaurantes quase decentes se resumem a 3) e putz cheguei lá na hora do pico, todo mundo saindo do trabalho pra almoçar. Eu sempre ia antes do meio dia ou lá por uma e meia, mas hoje não deu e as mesas individuais estavam todas ocupadas. É meio difícil se virar sozinha nesse mundo. A gente fala em individualismo mas o fato é que não dá nem pra comprar um ovo só no mercado sem ficar constrangida. E aí eu me obriguei a procurar uma mesa para quatro pessoas que não estivesse toda ocupada. Muito educada, é claro, perguntei para uma mulher que estava sentada se a metade da mesa estava ocupada e ela disse que não, então respirei aliviada porque eu queria logo encontrar uma mesa. A fila era grande e por mais que eu tivesse tempo eu estava com pressa decorrente do meu nervosismo. Quando a gente tá nervoso dá uma pressa desgraçada, quero tudo pra ontem. E até que eu enfrentasse aquela fila e conseguisse me servir e chegar de volva à mesa, a mulher já havia terminado de comer. Mas ela não pegou sua bolsa e foi embora. Me perguntei se ela estava esperando alguém. Ela puxou assunto, disse que o restaurante estava lotado... eu concordei, fui muito generosa, qualidade que estou a prendendo a ter com o teatro. E então eu almoçei e ela continuou ali. Não fiquei envergonhada porque não sentia se ela estava me olhando ou não e eu estava tão absorta nos meus pensamentos que nem pensei muito nela. Mas ninguém chegou. Eu terminei de almoçar, peguei minhas coisas e fui até o banheiro pensando em dar tchau quando fosse embora. mas quando voltei vi que a saída era pelo outro lado e ela estava muito longe para eu dar tchau. Então não dei. Fui mal educada. E a mulher continuou lá, esperando não se sabe quem.